Esta semana falei com um gamergater a sério, na
vida real.
Os gamergaters são apoiantes de um movimento
chamado gamergate que, de acordo com eles, é sobre ética no jornalismo dos
videojogos mas que, na boa tradição de arruinarem tudo, é na verdade sobre
moços brancos que não querem que nada mude. Não querem mais representatividade
nos seus joguinhos do computador porque isso aparentemente ameaça a sua
masculinidade. Ora, este movimento basicamente não faz nada de bom e não quer
que ninguém faça. É uma coisa muito fina e muito produtiva.
Várias senhoras jornalistas já foram ameaçadas de
morte de maneiras coloridas em consequência desta parvoíce e frases como
"o feminismo está a destruir o homem ocidental" foram usadas. É
perfeitamente ridículo. No entanto, eu estava convencida que isto era uma coisa
que só atacava a Gringolândia, lá no além-mar. Que, por muito sexistas que
os portugueses fossem, tínhamos mais o bom e velho machismo de um povo
tradicionalmente católico. Não estava sinceramente à espera de encontrar
estas modernices por cá. Enfim, são as desvantagens da globalização.
De qualquer forma, lá estava eu na minha paz do
senhor a tentar prestar atenção à aula quando oiço um palerma (com quem eu já
tinha discutido anteriormente porque ele desrespeitou o Dragon Age II à minha
frente e sinceramente eu estou na faculdade para aprender não para me faltarem
ao respeito) falar com o amigo sobre uma moça que tinha dormido com cinco gajos
em troca de boas críticas para o seu jogo.
Isto foi o que começou o movimento, um idiota
qualquer fez um post num blog a dizer mal da ex-namorada e toda a gente
acreditou, embora seja demonstradamente falso.
Eu perguntei-lhe se ele sabia de que é que estava
a falar e se sabia que o que estava a dizer era mentira mas, como seria de
esperar, a reação não foi a melhor. Vou-vos citar algumas pérolas que foram
ditas por este mastronço:
"Só queremos que os vídeo jogos continuem a
ser vídeo jogos"
"Uma vez joguei um jogo com uma protagonista
feminina e não me importei, não compreendo por que é que a representatividade é
assim tao importante para vocês"
"Somos apoiados por porn stars e por um
movimento católico, como é que podemos estar errados?"
Esta última é francamente a minha preferida e
acho que a vou usar frequentemente no meu dia-a-dia.
Mas o que eu sinceramente não compreendo é
por que é que é tao difícil para as pessoas aceitarem que algo está errado
quando lho apontam diretamente. Se alguém do grupo mulheres-e-minorias diz
"olhem lá isto não está nada bem, é francamente nojento por causa de x, y
e z e gostaríamos que fosse corrigido da forma a,b e c" se calhar a melhor
reação a ter não é começar aos gritos porque lhes estão a atacar as liberdades
de expressão e aceitar que, se calhar, estas pessoas estão em melhor posição
para avaliar se algo é ofensiva para elas ou não.
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