quinta-feira, 6 de novembro de 2014

God Bless

Esta semana falei com um gamergater a sério, na vida real.
Os gamergaters são apoiantes de um movimento chamado gamergate que, de acordo com eles, é sobre ética no jornalismo dos videojogos mas que, na boa tradição de arruinarem tudo, é na verdade sobre moços brancos que não querem que nada mude. Não querem mais representatividade nos seus joguinhos do computador porque isso aparentemente ameaça a sua masculinidade. Ora, este movimento basicamente não faz nada de bom e não quer que ninguém faça. É uma coisa muito fina e muito produtiva.

 
Várias senhoras jornalistas já foram ameaçadas de morte de maneiras coloridas em consequência desta parvoíce e frases como "o feminismo está a destruir o homem ocidental" foram usadas. É perfeitamente ridículo. No entanto, eu estava convencida que isto era uma coisa que só atacava a Gringolândia, lá no além-mar. Que, por muito sexistas que os portugueses fossem, tínhamos mais o bom e velho machismo de um povo tradicionalmente católico. Não estava sinceramente à espera de encontrar estas modernices por cá. Enfim, são as desvantagens da globalização.

 
De qualquer forma, lá estava eu na minha paz do senhor a tentar prestar atenção à aula quando oiço um palerma (com quem eu já tinha discutido anteriormente porque ele desrespeitou o Dragon Age II à minha frente e sinceramente eu estou na faculdade para aprender não para me faltarem ao respeito) falar com o amigo sobre uma moça que tinha dormido com cinco gajos em troca de boas críticas para o seu jogo.

 
Isto foi o que começou o movimento, um idiota qualquer fez um post num blog a dizer mal da ex-namorada e toda a gente acreditou, embora seja demonstradamente falso.

 
Eu perguntei-lhe se ele sabia de que é que estava a falar e se sabia que o que estava a dizer era mentira mas, como seria de esperar, a reação não foi a melhor. Vou-vos citar algumas pérolas que foram ditas por este mastronço:

 
"Só queremos que os vídeo jogos continuem a ser vídeo jogos"
 
"Uma vez joguei um jogo com uma protagonista feminina e não me importei, não compreendo por que é que a representatividade é assim tao importante para vocês"

 
"Somos apoiados por porn stars e por um movimento católico, como é que podemos estar errados?"

 
Esta última é francamente a minha preferida e acho que a vou usar frequentemente no meu dia-a-dia.

 
 Mas o que eu sinceramente não compreendo é por que é que é tao difícil para as pessoas aceitarem que algo está errado quando lho apontam diretamente. Se alguém do grupo mulheres-e-minorias diz "olhem lá isto não está nada bem, é francamente nojento por causa de x, y e z e gostaríamos que fosse corrigido da forma a,b e c" se calhar a melhor reação a ter não é começar aos gritos porque lhes estão a atacar as liberdades de expressão e aceitar que, se calhar, estas pessoas estão em melhor posição para avaliar se algo é ofensiva para elas ou não.

Sem comentários:

Enviar um comentário