Se olharem para a capa da edição da Vogue de
Setembro deste ano vão ver escrito na capa a seguinte maravilha "E depois
do metrossexual? Chega o spornossexual". Ora, como é mais do que óbvio que
sou dada a ataques mais do que esporádicos de masoquismo decidi procurar
deliberadamente o artigo e lê-lo.
Para já, acho que qualquer coisa que acabe em
-sexual que não se esteja a referir a uma orientação sexual é perfeitamente
estúpido. A sociedade fez dos homens tão fracos que agora se querem fazer algo
que se desvia minimamente do que é convencionalmente masculino têm que ir a
correr dar-lhe um nome parvo qualquer. Como se a maneira como uma pessoa se
veste tivesse alguma a ver com as predileções sexuais de uma pessoa. Ajuda a
alimentar o estigma e o estereótipo de que um homem que se arranja bem e não
tem uma aversão mortal a desodorizante é, de alguma forma, fora do
"normal" e deve ser considerado uma categoria à parte. Para além de
que a história dos metrossexuais só contribuiu para aquela ideia toda de
"ah eu arranjo-me e não me visto com um labrego mas não sou um desses
homossexuais, sou metrossexual".
Ser metrossexual é na verdade uma
subcategoria idiota da heterossexualidade para descrever um comportamento
perfeitamente normal que as pessoas têm há anos mas que como os homens
sofrem de uma debilidade mental e de uma insegurança tão grande teve que
se arranjar um nome para este comportamento “bizarro”.
Bem, mas depois da metrossexualidade surge a
spornossexualidade. Para já, o nome é francamente nojento. O que é um
sporno? Um spornossexual? Isto são palavras que existem? Soa tao
mal, parece uma doença sexualmente transmissível ou um esporo de um
cogumelo exótico. Deixa-me francamente desconfortável.
Aparentemente, um spornossexual é um indivíduo
que vai muito ao ginásio, tem um bronzeado artificial e é agressivamente
heterossexual. Foi só o que consegui extrair disto tudo. Não sei se avisaram os
senhores da revista que este tipo de gente existe há algum tempo. Mas o mais
interessante nem é este pseudo fenómeno. É mesmo a razão que atribuem à sua
existência. Este tipo de masculinidade over the top existe porque:
"Os homens deixaram de saber o seu objetivo
social assim que foram dispensados das suas funções de proteção, sustento ou
chefia familiar (já para não falar das frentes de batalha ou de abrir a porta
do carro). No fim, a única coisa que sobra - e que as mulheres continuam a
querer - são os seus corpos".
Lindo. Verdadeira poesia.
Eu não tinha lá chegado, mas os homens fazem este
tipo de coisa porque se sentem emasculados numa sociedade orientada para as
necessidades das mulheres. Incrível. Coitados. Ninguém pensa nas necessidades
deles.
Será que ninguém compreende que este tipo de
coisa não deixa ninguém mal visto para além dos homens? Para já, não acredito
que isto seja verdade. Depois, achar que isto é uma razão válida para haver um
shift pseudo cultural na expressão da masculinidade é simplesmente dizer
"eu acho que os homens têm todas a mentalidade de crianças de 5 anos
sem qualquer tipo de adaptabilidade saudável ao ambiente em que se
encontram". Ok, esta última parte é um bocado verdade mas ninguém nasce
tolhido emocionalmente, é a sociedade que faz deles moles de cabeça.
Talvez, em vez de criar nomes estúpidos para
coisas estúpidas podíamos simplesmente parar de achar que existem papéis e
maneiras de agir tipicamente masculinas e que existe um molde a que os homens
têm que se conformar e deixar as pessoas expressar a sua individualidade de
forma saudável e da maneira como acharem melhor. Se calhar era boa ideia.
Podíamos tentar isso e depois ver se ainda havia necessidade de categorizar as coisas
desta maneira. Se calhar éramos todos mais felizes.
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