sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Vãomasétodosàmerdassexuais

Se olharem para a capa da edição da Vogue de Setembro deste ano vão ver escrito na capa a seguinte maravilha "E depois do metrossexual? Chega o spornossexual". Ora, como é mais do que óbvio que sou dada a ataques mais do que esporádicos de masoquismo decidi procurar deliberadamente o artigo e lê-lo.
 
Para já, acho que qualquer coisa que acabe em -sexual que não se esteja a referir a uma orientação sexual é perfeitamente estúpido. A sociedade fez dos homens tão fracos que agora se querem fazer algo que se desvia minimamente do que é convencionalmente masculino têm que ir a correr dar-lhe um nome parvo qualquer. Como se a maneira como uma pessoa se veste tivesse alguma a ver com as predileções sexuais de uma pessoa. Ajuda a alimentar o estigma e o estereótipo de que um homem que se arranja bem e não tem uma aversão mortal a desodorizante é, de alguma forma, fora do "normal" e deve ser considerado uma categoria à parte. Para além de que a história dos metrossexuais só contribuiu para aquela ideia toda de "ah eu arranjo-me e não me visto com um labrego mas não sou um desses homossexuais, sou metrossexual".
Ser metrossexual é na verdade uma subcategoria idiota da heterossexualidade para descrever um comportamento perfeitamente normal que as pessoas têm há anos mas que como os homens sofrem de uma debilidade mental e de uma insegurança tão grande teve que se arranjar um nome para este comportamento “bizarro”.  
 
Bem, mas depois da metrossexualidade surge a spornossexualidade. Para já, o nome é francamente nojento. O que é um sporno? Um spornossexual? Isto são palavras que existem? Soa tao mal, parece uma doença sexualmente transmissível ou um esporo de um cogumelo exótico. Deixa-me francamente desconfortável.
 
Aparentemente, um spornossexual é um indivíduo que vai muito ao ginásio, tem um bronzeado artificial e é agressivamente heterossexual. Foi só o que consegui extrair disto tudo. Não sei se avisaram os senhores da revista que este tipo de gente existe há algum tempo. Mas o mais interessante nem é este pseudo fenómeno. É mesmo a razão que atribuem à sua existência. Este tipo de masculinidade over the top existe porque:
 
"Os homens deixaram de saber o seu objetivo social assim que foram dispensados das suas funções de proteção, sustento ou chefia familiar (já para não falar das frentes de batalha ou de abrir a porta do carro). No fim, a única coisa que sobra - e que as mulheres continuam a querer - são os seus corpos".
 
Lindo. Verdadeira poesia.
 
Eu não tinha lá chegado, mas os homens fazem este tipo de coisa porque se sentem emasculados numa sociedade orientada para as necessidades das mulheres. Incrível. Coitados. Ninguém pensa nas necessidades deles.
 
Será que ninguém compreende que este tipo de coisa não deixa ninguém mal visto para além dos homens? Para já, não acredito que isto seja verdade. Depois, achar que isto é uma razão válida para haver um shift pseudo cultural na expressão da masculinidade é simplesmente dizer "eu acho que os homens têm todas a mentalidade de crianças de 5 anos sem qualquer tipo de adaptabilidade saudável ao ambiente em que se encontram". Ok, esta última parte é um bocado verdade mas ninguém nasce tolhido emocionalmente, é a sociedade que faz deles moles de cabeça.   
 
Talvez, em vez de criar nomes estúpidos para coisas estúpidas podíamos simplesmente parar de achar que existem papéis e maneiras de agir tipicamente masculinas e que existe um molde a que os homens têm que se conformar e deixar as pessoas expressar a sua individualidade de forma saudável e da maneira como acharem melhor. Se calhar era boa ideia. Podíamos tentar isso e depois ver se ainda havia necessidade de categorizar as coisas desta maneira. Se calhar éramos todos mais felizes.

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