quarta-feira, 20 de maio de 2015

Só os burros


Cometi um erro bastante grande. Quando escrevi sobre a Hilary disse que a ia apoiar sempre a não ser que surgisse um autointitulado socialista. O que é que sucede quase imediatamente? Aparece o Bernie Sanders. Bernie motherfucking Sanders. Bane of my existence.

 

Já não posso ouvir falar do Bernie Sanders. Maldito fucking Bernie Sanders. Para um senhor que parece uma batata ele deixa-me muito zangada.

 

O problema que eu tenho com o Bernie é o mesmo que tenho, por exemplo, com o Bloco de Esquerda e com os pequenos movimentos da esquerda em Portugal. Resume-se ao seguinte: cagar postas de pescada é fácil, difícil é apresentar um plano estruturado para instituir mudança de uma forma realista.

 

Basta olhar para o AMA no Reddit do senhor para ver que, embora ele tenha as ideias todas certas, não há ali muita substância. Há buzzwords bonitas (grassroots grassroots grassroots) mas buzzwords nunca governaram um país.

 

O que me parece que falta ao Bernie é senso comum. A Hilary tem experiência na casa branca e é notoriamente determinada. O Bernie ao lado dela parece um saco de papel molhado. Duvido muito que ele saiba navegar o congresso e casa de representantes e sabe deus mais o quê de forma bem-sucedida. O simples facto de ele ter começado logo a atirar os confettis todos numa de vou fazer e acontecer demonstra que ele não tem uma visão muito realista do que é preciso fazer para efetivamente mudar alguma coisa.

 

É só olharmos para o Seguro versus o António Costa.

 

Eu votei com muita força nas primárias do PS e estou inteiramente convencida de que o António Costa é o salvador da pátria etnicamente ambíguo pelo qual todos nós esperávamos (pelo menos eu esperava). Se olharmos para as propostas de cada um na altura das primárias vemos o seguinte: o Seguro tinha uma lista enorme de coisas desconjuntadas mas objetivamente positivas que ele ia muito certamente fazer se chegasse a primeiro-ministro, como é que ele pretendia atingir cada uma delas não ficou bem claro (nem para nós nem para ele, provavelmente). O António Costa, por outro lado, tinha um plano muito bonitinho e organizado com objetivos e um outlook a longo prazo para país.

 

Há uma grande diferença entre ser um líder com uma visão clara e andar a brincar aos políticos.

 

(Para quem está com dificuldades, nesta analogia, a Hilary Clinton é o António Costa e o Bernie é o Seguro)

 

Mas pronto, eu compreendo, os jovens americanos com idade compreendida entre os 18 e os 25 tinha que arranjar de alguma maneira um homem branco um bocado passado do prazo em quem votar. Eu respeito a sua consistência. Não gosto e acho estúpido, mas respeito.

 

 

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