Se vamos embarcar num movimento
político para avançar a nossa posição na sociedade é bom que dê trabalho, que
nos obrigue a procurar soluções tangíveis para situações concretas. Isto nem
sempre é fácil. Implica compromissos e empatia e análise crítica de uma data de
coisas menos agradáveis.
A Gloria Steinem, deusa a abençoe
nos seus 82 anos, deu uma entrevista à Bloomberg que mostra exatamente quão
importante é a capacidade de investigação e aprendizagem num contexto
feminista. Uma das respostas dela sobre a sua experiência na luta contra o
tráfico sexual é verdadeiramente impressionante.
“I came to see friends who live along the Zambezi River. They had arranged a meeting with a lot of women from local villages, maybe 20 or 25. […] Two women from those villages had gone to Lusaka to prostitute themselves and never came back, because they needed money for food and also for the kids’ school fees. So I said to them, what would have prevented this? They said a good maize crop. I said, what prevented a good maize crop? They said the elephants came as soon as it was up to a certain height. In the old days, there was a system with a tower with somebody up there with a drum that scared them away. So I asked, “Well, what would prevent that?” They said if they had an electrified fence. I raised—I can’t remember—I think it was under $3,000 for an electrified fence, and they cleared acres and acres by hand, which is a lot of work. When I went back the next year, there was a bumper crop. There were bags of maize under the tree. They had enough for food, security, and also enough to sell so that their kids could go to the local schools. But if someone had asked me what would prevent sex trafficking, I would not have said an electrified fence.”
A complacência é transversalmente
recompensada, mas é algo que deve ser especialmente combatido pelas mulheres. Complacência
feminina é muitas vezes sinónimo de corroboração com a nossa própria opressão. Em
vez de aceitar as coisas como são, colar etiquetas novas com cuspo em cima de
problemas para fingir que são outra coisa, temos que aprender a olhar para
nossa opressão de frente e chamar-lhe pelo nome certo.
A prostituição e o tráfico sexual
são problemas graves. Não há nenhuma razão para uma mulher ter que se
prostituir, não há razão nenhuma para desculpar uma sociedade que aceita que
exista procura para este tipo de exploração. São sintomas que têm que ser
erradicados e não repackaged como algo socialmente aceite, uma triste realidade
comparável a qualquer outra que ocorre numa sociedade capitalista.
Gloria Steinem, na sua infinita
sabedoria de quem já faz isto há muito tempo, não só se propôs a tentar ajudar
a encontrar uma solução como conseguiu fazê-lo realmente ouvindo a realidade das mulheres nessa posição e perguntando o que é necessário para que
elas possam resolver o seu próprio problema a longo prazo.
Temos que ter humildade para ouvir,
mas também coragem para falar, como estas mulheres tiveram. Coragem de
identificar aquilo que é injusto e que tem que ser mudado, custe o que custar.
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