Hilary Clinton anunciou este fim-de-semana que
vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos.
Hilary Clinton vai ganhar estas eleições nem
que eu vá pessoalmente a casa de todos os norte americanos obrigá-los
a ir votar (ou melhor, a casa de todos os empregadores norte
americanos, para eles deixarem os seus pobres subordinados ir votar -
problemas de viver num país em desenvolvimento). A alternativa é
demasiado nojenta por isso estou a assumir que já está mais do que
decidido que ela vai ser presidente e o resto é só formalidades.
Isto não quer dizer que eu ache que Hilary
Clinton seja inteiramente a salvadora da pátria, o grande catalisador que vai
finalmente transformar os Estados Unidos numa utopia socialista. Nada disso.
Ela não é nem de perto nem de longe tão de esquerda quanto eu gostaria. Também
já ouvi gente chamar-lhe porca imperialista, se isto tem algum tipo de
fundamento, admito que não sei. Parece-me que ela é extremamente competente e
que tolera zero merda de quem quer que seja, para além disto não sei grande
coisa (para além daquela reforma no sistema de saúde que ela tentou implementar
quando era primeira-dama). Parece-me também ser uma pessoa séria e, hey, quem é
que não é um bocadinho um porco imperialista nos dias que correm?
O que eu sei, no entanto, é que se ela for eleita
então os Estados Unidos da Grande e Muitíssimo Importante Superpotência América
terão elegido a sua primeira senhora presidente em 2016. Isto é um selo de
incompetência de que a sociedade americana (e muitas outras) não se livra. Não
há nada que apague esta vergonha. Que justificação plausível há para isto? De
certeza que não é "só agora é que apareceu uma mulher competente que
chegue para ser presidente" porque estamos a falar de um país que elegeu
dois Bush, o Nixon e o Reagan.
Hilary tornar-se presidente é, em si mesmo,
revolucionário. Se ela é efetivamente o céu e a lua e as estrelas não interessa
muito nesse aspeto. O Obama também não fez nem aconteceu e de certeza
que o prémio Nobel está na mesa-de-cabeceira a apanhar pó por isso se calhar o
melhor é respirarmos todos fundo.
O que escapa a muita gente é que esta história da
igualdade de género é um pau de dois bicos, ou melhor, é um pau e pronto. Há
quem ache que é mais como um daqueles chouriços de espuma que ajudam as
crianças a aprender a nadar mas garanto-vos que não é. Para termos verdadeira
igualdade de género precisamos de dar espaço às mulheres para serem tao
terríveis como os homens ou, pelo menos, tao average como eles. Não vale dizer
abrir portas só para as mulheres que prometem ser o mais radiante exemplo do
seu género. Não é assim que as coisas funcionam.
A fasquia relativamente a presidentes americanos
é tao baixa que, muito sinceramente, a não ser que surja um catraio qualquer
que seja um autoproclamado socialista que quer desmilitarizar completamente os
EUA e instituir uma segurança social como deve ser, eu vou apoiar sempre a
Hilary (não que interesse muito). Eu não sou uma pessoa orgulhosa, não tenho
problema nenhum em admitir isto.
A Sarah Palin, por exemplo, era um tipo raro de
terrível, não havia ali nada que se aproveitasse. Na altura não concordei (nem
tenciono concordar) com a opinião dela relativamente ao que quer que
fosse. Não concordei com o cabelo dela, nem com os filhos, nem
com os netos, não concordei com o hobby dela de andar a matar
lobos a partir de um helicóptero, nem sequer concordei com a maneira como ela
escolheu pronunciar grande maioria das palavras. No entanto, Sarah
Palin foi apenas a segunda mulher a ser candidata a vice-presidente
na não-muito-curta história dos EUA, mas o que a tornou
realmente uma trailblazer foi mais o facto de ela ser tao péssima. Um
tipo tao especial de terrível que, até recentemente, parecia estar reservado
para políticos do sexo masculino (pelo menos publicamente). De certa
forma, Sarah Palin ajudou no sentido em que nivelou um bocado a coisa: mostrou,
sem sombra de dúvida, que há mulheres que são melhores do que a maioria dos
homens a ser terríveis. Algo perfeitamente inédito, portanto.
Os EUA são uma wasteland social. O que quer que
seja que aquele hellhole de país precisa para se endireitar, não vai ser uma
única pessoa que o vai conseguir fazer (muito menos quando o congresso é
maioritariamente republicano e, consequentemente, terminalmente
estúpido). Espero sinceramente que Hilary faça um trabalho
aceitável se ganhar que, sinceramente, é o melhor que podemos esperar
tendo em conta as circunstâncias.
É triste? Sem dúvida, mas eu saboreio as minhas
vitórias onde as consigo arranjar.
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