terça-feira, 14 de abril de 2015

Equal opportunity

Hilary Clinton anunciou este fim-de-semana que vai ser a próxima presidente dos Estados Unidos.
 
Hilary Clinton vai ganhar estas eleições nem que eu vá pessoalmente a casa de todos os norte americanos obrigá-los a ir votar (ou melhor, a casa de todos os empregadores norte americanos, para eles deixarem os seus pobres subordinados ir votar - problemas de viver num país em desenvolvimento). A alternativa é demasiado nojenta por isso estou a assumir que já está mais do que decidido que ela vai ser presidente e o resto é só formalidades.
 
Isto não quer dizer que eu ache que Hilary Clinton seja inteiramente a salvadora da pátria, o grande catalisador que vai finalmente transformar os Estados Unidos numa utopia socialista. Nada disso. Ela não é nem de perto nem de longe tão de esquerda quanto eu gostaria. Também já ouvi gente chamar-lhe porca imperialista, se isto tem algum tipo de fundamento, admito que não sei. Parece-me que ela é extremamente competente e que tolera zero merda de quem quer que seja, para além disto não sei grande coisa (para além daquela reforma no sistema de saúde que ela tentou implementar quando era primeira-dama). Parece-me também ser uma pessoa séria e, hey, quem é que não é um bocadinho um porco imperialista nos dias que correm?
 
O que eu sei, no entanto, é que se ela for eleita então os Estados Unidos da Grande e Muitíssimo Importante Superpotência América terão elegido a sua primeira senhora presidente em 2016. Isto é um selo de incompetência de que a sociedade americana (e muitas outras) não se livra. Não há nada que apague esta vergonha. Que justificação plausível há para isto? De certeza que não é "só agora é que apareceu uma mulher competente que chegue para ser presidente" porque estamos a falar de um país que elegeu dois Bush, o Nixon e o Reagan.
 
Hilary tornar-se presidente é, em si mesmo, revolucionário. Se ela é efetivamente o céu e a lua e as estrelas não interessa muito nesse aspeto. O Obama também não fez nem aconteceu e de certeza que o prémio Nobel está na mesa-de-cabeceira a apanhar pó por isso se calhar o melhor é respirarmos todos fundo.
 
O que escapa a muita gente é que esta história da igualdade de género é um pau de dois bicos, ou melhor, é um pau e pronto. Há quem ache que é mais como um daqueles chouriços de espuma que ajudam as crianças a aprender a nadar mas garanto-vos que não é. Para termos verdadeira igualdade de género precisamos de dar espaço às mulheres para serem tao terríveis como os homens ou, pelo menos, tao average como eles. Não vale dizer abrir portas só para as mulheres que prometem ser o mais radiante exemplo do seu género. Não é assim que as coisas funcionam.
 
A fasquia relativamente a presidentes americanos é tao baixa que, muito sinceramente, a não ser que surja um catraio qualquer que seja um autoproclamado socialista que quer desmilitarizar completamente os EUA e instituir uma segurança social como deve ser, eu vou apoiar sempre a Hilary (não que interesse muito). Eu não sou uma pessoa orgulhosa, não tenho problema nenhum em admitir isto.
 
A Sarah Palin, por exemplo, era um tipo raro de terrível, não havia ali nada que se aproveitasse. Na altura não concordei (nem tenciono concordar)  com a opinião dela relativamente ao que quer que fosse. Não concordei com o cabelo dela, nem com os filhos, nem com os netos, não concordei com o hobby dela de andar a matar lobos a partir de um helicóptero, nem sequer concordei com a maneira como ela escolheu pronunciar grande maioria das palavras. No entanto, Sarah Palin foi apenas a segunda mulher a ser candidata a vice-presidente na não-muito-curta história dos EUA, mas o que a tornou realmente uma trailblazer foi mais o facto de ela ser tao péssima. Um tipo tao especial de terrível que, até recentemente, parecia estar reservado para políticos do sexo masculino (pelo menos publicamente). De certa forma, Sarah Palin ajudou no sentido em que nivelou um bocado a coisa: mostrou, sem sombra de dúvida, que há mulheres que são melhores do que a maioria dos homens a ser terríveis. Algo perfeitamente inédito, portanto.
 
 
Os EUA são uma wasteland social. O que quer que seja que aquele hellhole de país precisa para se endireitar, não vai ser uma única pessoa que o vai conseguir fazer (muito menos quando o congresso é maioritariamente republicano e, consequentemente, terminalmente estúpido). Espero sinceramente que  Hilary faça um trabalho aceitável se ganhar que, sinceramente, é o melhor que podemos esperar tendo em conta as circunstâncias.
 
É triste? Sem dúvida, mas eu saboreio as minhas vitórias onde as consigo arranjar.

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