sexta-feira, 13 de março de 2015

Vivian

Uma das minhas grandes desilusões este ano foi o facto do documentário "Finding Vivian Maier" não ter ganho o Óscar. Verdade seja dita, não vi nenhum dos outros nomeados mas isso dificilmente é relevante neste momento.
 
A história de Vivian Maier enquanto artista é absolutamente fascinante. Viveu e morreu na obscuridade e só quando um catraio há uns anos comprou umas malas aleatórias cheias de negativos num leilão é que se descobriu que ela era uma fotógrafa extremamente talentosa.
 
Vivian Maier tem uma história digna de qualquer grande génio. Ninguém sabe ao certo se o sotaque francês dela era falso ou não, colecionava notícias de jornal e imensos nicknacks que comprava ou reservava usando um nome falso (ninguém sabe exatamente porquê), trabalhava como ama e há relatos que dizem que ela era excelente com crianças e outros que dizem que era abusiva, uma vez deu um soco a um homem e mandou-o para o hospital porque ele lhe tocou no braço. Uma heroína, portanto.
 
Vivian, apesar de ter o seu quê de bicho-do-mato, é uma verdadeira inspiração. Parece ter vivido exatamente como queria, numa sucessão de sótãos. Não era particularmente bem-educada nem agradecida às famílias para quem trabalhava. Despediu-se porque uma vez lhe estragaram os recortes de jornal. Vivian não só era horrivelmente talentosa como tinha uma abordagem extremamente inovadora à vida. Inovadora no sentido em que não queria saber de ninguém nem de nada para além dela própria e da sua arte. Vivian Maier levava crianças pequenas a matadouros, Vivian Maier tirava fotos a crianças que tinham sido atropeladas, Vivian Maier sabia que tirava boas fotos embora nunca as tivesse publicado nem tivesse qualquer input externo sobre elas.
 
Vivian Maier não queria saber. Vivian Maier era feita de ferro e de gelo.
 
 

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