quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A oscarina do tempo

Saíram hoje as nomeações para os Óscares.
 
Eu vivo muito intensamente os Óscares. Tento ver os filmes todos antes, escolho os meus favoritos e depois gravo e vejo tudo a acelerar no dia seguinte porque é um dia de trabalho e ninguém tem tempo para ficar acordada até às mil da manhã.
 
Todos os anos tenho pelo menos uma desilusão horrível. Admito que não sei quais são as qualificações dos senhores que decidem estas coisas mas não devem ser grande coisa uma vez que parecem não saber o que estão a fazer metade do tempo. Às vezes acertam, é verdade. Mas quando não acertam, não acertam mesmo.
 
Este ano promete ser uma pasmaceira. Para já, parece que é o ano mais branco desde 1998. Depois, o Bendover Cumonbutt está nomeado para melhor ator (sendo que, toda a gente sabe, que o Benadryl Cootiesnatch é o rei dos pãezinhos de leite). E, a maior afronta de todas (sem contar com o facto de o Interstellar não ter sido nomeado para quase nada, mas eu estou a tentar ignorar que isso aconteceu e que o Interstellar é secretamente reconhecido como a melhor coisa que alguma vez aconteceu a toda a gente desde sempre), é o facto de não terem nomeado a Sra Ava DuVernay, realizadora do filme Selma.
 
Pelo que o meu paizinho me conta (sendo que ele já tem bastante mais anos de Óscares do que eu), raramente um filme ganha ou é nomeado para melhor filme sem que o seu realizador seja também nomeado. Parece que abriram a exceção.
 
Se não me engano, já o Steve McQueen também não foi nomeado para melhor realizador (embora tenha ganho o Óscar de melhor filme). Hollywood parece viver num equilíbrio estranho em que quando uma minoria-ou-uma-mulher ganha alguma coisa tem que se esperar 10 anos até se poder dar um prémio a outra. Uma vez que a Ava DuVernay é uma mulher e uma minoria ao mesmo tempo, não sei de que é que estávamos à espera.
 
Tendo em consideração o que se tem passado na gringolândia, já está mais do que visto que eles por lá ainda não consideram as pessoas negras gente mas estes Óscares eram uma boa oportunidade para mostrar que estavam ao menos dispostos a fazer um esforço, por muito pequeno que fosse. Por exemplo, em 2008, a Kathryn Bigelow ganhou o Óscar de melhor realizadora, agora podem argumentar que acham as mulheres mais ou menos gente. Até têm uma mulher a sério a quem deram um prémio há tipo 6 anos. Este tipo de abordagem dava para calar o pessoal uns sólidos 2 meses. Esta gente não pensa.
 
Depois os filmes em si este ano são um bocadinho repetitivos. A maioria são variações da mesma coisa de sempre, é a história de um senhor muy especial e da sua muy nobre vida cheia de episódios em que mostram exatamente quão especial e nobre ele é. Cansa um bocado. Eu não quero saber, histórias sobre homens não me comovem (a não ser que tenham a ver com o espaço e tenham uma senhora física à mistura e robots com sentido do humor). O filme sobre o Alan Turing seria uma boa oportunidade para subverter as coisas mais ou menos mas o casting e a execução transformaram o filme numa tapioca derivativa. É triste.
 
Vou ter que me contentar com o sausage fest. Pode ser que este ano consiga finalmente instaurar um matriarcado e em 2016 os homens sejam literalmente banidos de entrarem em Hollywood. Uma rapariga pode sonhar.

Sem comentários:

Enviar um comentário