Com a época natalícia, os católicos saíram todos
da toca. A faculdade está absolutamente pejada de cartazes a anunciar uma coisa
que, ao início, parecia-me ser uma campanha de recolha de fluidos corporais
(tipo sangue).
Olhando assim de repente é exatamente isso que
parece, ou então um anúncio a medicação para a azia. É uma escolha estranha mas
hey, quem sou eu para discutir com a equipa de marketing e comunicação da
igreja.
Bem, esta "Missão País" é uma boa peça. Mas ao
menos é uma peça honesta. É muito claramente católica e está muito nitidamente
vocacionada para a evangelização. Diria que, de todas as coisas que a igreja
podia fazer, mandar um monte de universitários evangelizar pessoal é
provavelmente a pior por um número interessante de razões.
Primeiro, não acho que estejam a fazer esta coisa
de "amar o próximo" como deve ser. Estas coisas de animação cultural
que eles promovem em lares de idosos e com crianças não é grande coisa no que
tocar a amar gente desfavorecida. Nos dias que correm, se querem amar o próximo
ficam mais bem servidos se pagarem os impostos todos e votarem na esquerda.
O bom e velho catolicismo português ensina mais a
amar o Sr. Jesus do que as massas mal lavadas. E isso nunca encheu a barriga a
ninguém. Objetivamente falando, está claro.
Depois, evangelizar crianças é uma ideia muito
má. Ainda compreendo que vão a lares de idosos, acho que há por aí muito idoso
que precisa de companhia e que nem se importa de interagir com universitários
self-righteous com demasiado tempo livre. É uma win-win situation para toda a
gente envolvida. Agora, as crianças não. As crianças não merecem. Deixem-nas em
paz, por favor. Entre seis testes semanais, pais chatos, professores
incompetentes, ensino articulado e aulas de patinagem artística, não há espaço
para o menino Jesus. Lamento. Não há. Com a carga horária que as crianças têm
hoje em dia, a última coisa de que elas precisam é de um conceito metafísico
estúpido que lhes pode muito bem proporcionar uma vida inteira de sentimentos
de culpa perfeitamente desnecessários.
Para não falar do facto de pegar no instinto
naturalmente curioso das crianças e basicamente cagar-lhe em cima. Deixem as
crianças ouvir o tio Darwin a seu tempo e deixem-nas ficar a dormir ao fim de
semana de manhã que elas bem merecem. Algumas têm ensaio de instrumento aos
sábados e trabalhos de casa que nunca mais acabam que depois têm que fazer aos
domingos. Tem algum jeito encarar isso tudo depois de não sei quanto tempo de
catequese e/ou missa? As crianças merecem melhor. As crianças merecem dez horas
de sono diário e coisas bonitas, não um monte de baboseiras mal corroboradas.
E as meninas? Até tremo em pensar nas coisas que
esta evangelização aparentemente inócua transmite às meninas. A bíblia não é
exatamente o texto mais woman-friendly que há por aí. As meninas merecem
crescer em paz, merecem ter interesses tanto tipicamente masculinos como
femininos, merecem dar beijinhos em rapazes (ou raparigas) quando chegar a
idade certa sem se sentirem mal. Merecem ser quem é suposto serem sem terem
nada a contaminar isso.
Por isso, por favor, antes de irem por aí
evangelizar, pensem nas crianças.

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