sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Leave the kids alone

Com a época natalícia, os católicos saíram todos da toca. A faculdade está absolutamente pejada de cartazes a anunciar uma coisa que, ao início, parecia-me ser uma campanha de recolha de fluidos corporais (tipo sangue).
Olhando assim de repente é exatamente isso que parece, ou então um anúncio a medicação para a azia. É uma escolha estranha mas hey, quem sou eu para discutir com a equipa de marketing e comunicação da igreja.
 
 
 
Bem, esta "Missão País" é uma boa peça. Mas ao menos é uma peça honesta. É muito claramente católica e está muito nitidamente vocacionada para a evangelização. Diria que, de todas as coisas que a igreja podia fazer, mandar um monte de universitários evangelizar pessoal é provavelmente a pior por um número interessante de razões.
 
Primeiro, não acho que estejam a fazer esta coisa de "amar o próximo" como deve ser. Estas coisas de animação cultural que eles promovem em lares de idosos e com crianças não é grande coisa no que tocar a amar gente desfavorecida. Nos dias que correm, se querem amar o próximo ficam mais bem servidos se pagarem os impostos todos e votarem na esquerda.
 
O bom e velho catolicismo português ensina mais a amar o Sr. Jesus do que as massas mal lavadas. E isso nunca encheu a barriga a ninguém. Objetivamente falando, está claro.
 
Depois, evangelizar crianças é uma ideia muito má. Ainda compreendo que vão a lares de idosos, acho que há por aí muito idoso que precisa de companhia e que nem se importa de interagir com universitários self-righteous com demasiado tempo livre. É uma win-win situation para toda a gente envolvida. Agora, as crianças não. As crianças não merecem. Deixem-nas em paz, por favor. Entre seis testes semanais, pais chatos, professores incompetentes, ensino articulado e aulas de patinagem artística, não há espaço para o menino Jesus. Lamento. Não há. Com a carga horária que as crianças têm hoje em dia, a última coisa de que elas precisam é de um conceito metafísico estúpido que lhes pode muito bem proporcionar uma vida inteira de sentimentos de culpa perfeitamente desnecessários.
 
Para não falar do facto de pegar no instinto naturalmente curioso das crianças e basicamente cagar-lhe em cima. Deixem as crianças ouvir o tio Darwin a seu tempo e deixem-nas ficar a dormir ao fim de semana de manhã que elas bem merecem. Algumas têm ensaio de instrumento aos sábados e trabalhos de casa que nunca mais acabam que depois têm que fazer aos domingos. Tem algum jeito encarar isso tudo depois de não sei quanto tempo de catequese e/ou missa? As crianças merecem melhor. As crianças merecem dez horas de sono diário e coisas bonitas, não um monte de baboseiras mal corroboradas.
 
E as meninas? Até tremo em pensar nas coisas que esta evangelização aparentemente inócua transmite às meninas. A bíblia não é exatamente o texto mais woman-friendly que há por aí. As meninas merecem crescer em paz, merecem ter interesses tanto tipicamente masculinos como femininos, merecem dar beijinhos em rapazes (ou raparigas) quando chegar a idade certa sem se sentirem mal. Merecem ser quem é suposto serem sem terem nada a contaminar isso.
 
Por isso, por favor, antes de irem por aí evangelizar, pensem nas crianças.  

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