Há uma coisa que me faz muita impressão.
Eu sou razoavelmente ativa no tumblr e, nos meus
tempos de juventude, antes de me tornar uma bruxa amarga e coberta de verrugas,
seguia muitas raparigas com 15-18 anos com fascínios perfeitamente saudáveis
por uma quantidade muito diversa de séries de televisão.
Até aqui tudo bem.
O problema surge quando, com as séries surge o
fascínio pelos atores. É claro que não há nada de errado em olhar para um
catraio qualquer e dizer "10/10 comia". Jamais me ocorreria
desincentivar tal coisa. Deusa sabe que gosto imenso de olhar para o Keanu
Reeves.
No entanto, quando elas passam disso para uma
de "ele é tao lindo e maravilhoso e nunca olharia para mim porque
merece tao melhor" começo a ficar desconfortável. Para já, espero mesmo
que não olhassem porque a maior parte delas são menores e isso seria uma
coisa extremamente pedófila de se fazer. Depois, "merece tao melhor"
é um conceito um bocado estranho. As pessoas não estão organizadas em
categorias em que há umas que são claramente melhores do que outras. Não se
pode atribuir valor objetivo assim às pessoas (a não ser que, sei lá, sejam neonazis e
achem que o Sócrates foi mau primeiro ministro). Na dating pool do
mundo não há níveis, como o nome indica, é uma piscina, está tudo a chapinhar
no mesmo sítio.
Estas cachopas são todas pessoas mais do que
satisfatórias. Gerem blogues, vão à escola e uma quantidade ridícula delas
tem talento a sair-lhe pelas orelhas no desenho/pintura/escrita/whatever. As
raparigas são como os cães, são todas únicas e excelentes e com uma
personalidade individual perfeitamente charming. Não há razão nenhuma para
achar que são indesejáveis seja de que maneira for.
O objeto das suas fixações deixa também um
bocado a desejar. Elas elevam estes atores a um nível sobre-humano e às
vezes acham que estão para além dos comuns mortais. Um exemplo notável é o
Banoodle Cumberbund, ator principal na série inglesa Sherlock, que, apesar de
contar como feito mais proeminente ter a capacidade de parecer um presunto mal
curado a maior parte do tempo, parece ter conquistado o coração de muita
gente. É aplaudido como a epítome do gentleman inglês, tão bem
educado e culto, tão eloquente e belo e excelente.
No entanto, o Bandicoot Cucumberpatch, como
muitos senhores ingleses daquela faixa etária, é um snob educado numa
escola privada que acha que as pessoas pobres são pobres porque não
trabalham que chegue e é, no fundo, um cocó burguês. Não há nada a fazer. São
as verdades.
O que eu estou a tentar dizer é que as raparigas
adolescentes não ouvem vezes que cheguem que são incríveis e maravilhosas e
depois elevam homens perfeitamente comuns a um estatuto esquisito e praticam um
tipo de hero-worship pouco saudável quando deviam estar a ponderar o facto de
serem real life goddesses que merecem coisas boas na vida.
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