quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Blunderbuss Cootiesnatch


Há uma coisa que me faz muita impressão.

 

Eu sou razoavelmente ativa no tumblr e, nos meus tempos de juventude, antes de me tornar uma bruxa amarga e coberta de verrugas, seguia muitas raparigas com 15-18 anos com fascínios perfeitamente saudáveis por uma quantidade muito diversa de séries de televisão.

 

Até aqui tudo bem.

 

O problema surge quando, com as séries surge o fascínio pelos atores. É claro que não há nada de errado em olhar para um catraio qualquer e dizer "10/10 comia". Jamais me ocorreria desincentivar tal coisa. Deusa sabe que gosto imenso de olhar para o Keanu Reeves.

 

No entanto, quando elas passam disso para uma de "ele é tao lindo e maravilhoso e nunca olharia para mim porque merece tao melhor" começo a ficar desconfortável. Para já, espero mesmo que não olhassem porque a maior parte delas são menores e isso seria uma coisa extremamente pedófila de se fazer. Depois, "merece tao melhor" é um conceito um bocado estranho. As pessoas não estão organizadas em categorias em que há umas que são claramente melhores do que outras. Não se pode atribuir valor objetivo assim às pessoas (a não ser que, sei lá, sejam neonazis e achem que o Sócrates foi mau primeiro ministro). Na dating pool do mundo não há níveis, como o nome indica, é uma piscina, está tudo a chapinhar no mesmo sítio.

 

Estas cachopas são todas pessoas mais do que satisfatórias. Gerem blogues, vão à escola e uma quantidade ridícula delas tem talento a sair-lhe pelas orelhas no desenho/pintura/escrita/whatever. As raparigas são como os cães, são todas únicas e excelentes e com uma personalidade individual perfeitamente charming. Não há razão nenhuma para achar que são indesejáveis seja de que maneira for.

 

O objeto das suas fixações deixa também um bocado a desejar. Elas elevam estes atores a um nível sobre-humano e às vezes acham que estão para além dos comuns mortais. Um exemplo notável é o Banoodle Cumberbund, ator principal na série inglesa Sherlock, que, apesar de contar como feito mais proeminente ter a capacidade de parecer um presunto mal curado a maior parte do tempo, parece ter conquistado o coração de muita gente. É aplaudido como a epítome do gentleman inglês, tão bem educado e culto, tão eloquente e belo e excelente.

 

No entanto, o Bandicoot Cucumberpatch, como muitos senhores ingleses daquela faixa etária, é um snob educado numa escola privada que acha que as pessoas pobres são pobres porque não trabalham que chegue e é, no fundo, um cocó burguês. Não há nada a fazer. São as verdades.

 

O que eu estou a tentar dizer é que as raparigas adolescentes não ouvem vezes que cheguem que são incríveis e maravilhosas e depois elevam homens perfeitamente comuns a um estatuto esquisito e praticam um tipo de hero-worship pouco saudável quando deviam estar a ponderar o facto de serem real life goddesses que merecem coisas boas na vida.


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