Como bons socialistas, os meus paizinhos
ensinaram-me desde pequena que a caridade é para católicos com complexos de
superioridade. Ok, nem sempre, mas uns sólidos 90% é para católicos com
complexos de superioridade. Não tenho a certeza do que os restantes 10% andam a
fazer.
A ideia de atirar uma mão cheia de
moedas à cara de gente desfavorecida uma vez por ano com esperança que alguma
cole não é definitivamente uma ideia que que eu aprove particularmente.
Ensinaram-me a respeitar mais a solidariedade, sistemas que permitam às pessoas
a quem o universo decidiu cuspir na cara viver com a dignidade que merecem de
forma continuada.
Dito isto, irrita-me imenso que as pessoas
das mais diversas instituições de caridade me abordem (de forma
extremamente agressiva, diga-se de passagem) a caminho da faculdade. Senhores,
eu sou estudante. Dá para ver pela cara e pela mochila. Acham que eu tenho
disposable income para vocês? E acham que eu se eu tivesse vos
dava? Eu sei lá qual é a credibilidade dos vossos projetos e a
sustentabilidade da coisa e se estão efetivamente a fazer uma diferença
significativa na vida das pessoas. Eu sei que não fazem por mal e que acham
sinceramente que estão a fazer uma coisa bem feita e que este tipo de coisa vos
eleva a um plano moral superior. Mas por favor não se ofereçam para me
acompanhar à porta da sala onde vou ter aulas nem ao autocarro. Não tenho fundos
para vocês e se tivesse provavelmente gastava em propinas.
Quando vos despacho com um "não,
obrigada" não faço por mal. Tenham dó de mim.
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