sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Coisas que irritam

Como bons socialistas, os meus paizinhos ensinaram-me desde pequena que a caridade é para católicos com complexos de superioridade. Ok, nem sempre, mas uns sólidos 90% é para católicos com complexos de superioridade. Não tenho a certeza do que os restantes 10% andam a fazer.
 
A ideia de atirar uma mão cheia de moedas à cara de gente desfavorecida uma vez por ano com esperança que alguma cole não é definitivamente uma ideia que que eu aprove particularmente. Ensinaram-me a respeitar mais a solidariedade, sistemas que permitam às pessoas a quem o universo decidiu cuspir na cara viver com a dignidade que merecem de forma continuada.
 
Dito isto, irrita-me imenso que as pessoas das mais diversas instituições de caridade me abordem (de forma extremamente agressiva, diga-se de passagem) a caminho da faculdade. Senhores, eu sou estudante. Dá para ver pela cara e pela mochila. Acham que eu tenho disposable income para vocês? E acham que eu se eu tivesse vos dava? Eu sei lá qual é a credibilidade dos vossos projetos e a sustentabilidade da coisa e se estão efetivamente a fazer uma diferença significativa na vida das pessoas. Eu sei que não fazem por mal e que acham sinceramente que estão a fazer uma coisa bem feita e que este tipo de coisa vos eleva a um plano moral superior. Mas por favor não se ofereçam para me acompanhar à porta da sala onde vou ter aulas nem ao autocarro. Não tenho fundos para vocês e se tivesse provavelmente gastava em propinas.
 
Quando vos despacho com um "não, obrigada" não faço por mal. Tenham dó de mim.
 
 

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