domingo, 14 de setembro de 2014

Os génios e os outros


Há relativamente pouco tempo mudei de curso. O meu primeiro tinha uma quantidade considerável de moças, o segundo, de moços.

 
No meu primeiro curso consegui amealhar um grupo substancial de raparigas ao qual durante algum tempo chamei amigas. Muitas delas tinham médias ridiculamente altas de entrada na faculdade, tipo dezoitos virgula qualquer coisa e por aí em diante. Moças inteligentes no sentido convencional do termo. Nunca em nenhuma circunstância se referiram a elas próprias como génios, inteligentes, espertas, espertinhas, boas no que fazem, dotadas, sobredotadas (que julgo ser três ou quatro passos acima de dotada) ou qualquer outra coisa que indicasse que elas se consideravam na posse de qualquer tipo de capacidade intelectual.

 
Pode ser falsa humildade? Isso pode, mas nunca me pareceu que fosse. São coisas que acontecem.


No meu atual curso tenho amigos rapazes. Como é uma mudança recente ainda tenho uma pool de amigos reduzida mais ainda assim dá para fazer umas observações interessantes. Acontece que conheço alguns que ou entraram mais cedo na universidade ou passaram um ano à frente. Os outros são juventudes que saíram do secundário com médias de catorze e dizem coisas como "sempre fui o génio da família". Estamos a falar de gente que consegue manter conversas longuíssimas sobre coisas sobre as quais sabem pouco ou nada.

 
Atenção, são bons rapazes, boa gente. E catorze é uma média sólida. O que me admira é que esta gente que passou um ano à frente muitas vezes cai de boca no chão e mal consegue passar às cadeiras. O génio acabou? O que se passa aqui? E mesmo depois de terem provas concretas de que não são isto e aquilo continuam a arranjar desculpas. "É impossível fazer esta cadeira, só palermas que passam a vida a estudar é que passam".
 

"Só palermas que passam a vida a estudar é que passam"

 
Engraçado como estes rapazolas às vezes dizem coisas acertadas.


Quando as moças têm boas notas e se saem bem academicamente é porque trabalham e, afinal, qualquer palerma consegue fazer isso. Quando acontece o mesmo com moços é porque são dotados.

 
Depois de passarem uma vida inteira a ouvir dizer que são o sol e as estrelas é um bocado tough assimilar que se calhar o rabo deles não brilha com especial intensidade nem cheira a rosas.


Enfim, eu canso-me. Fico triste. Acredito numa distribuição igualitária da bazófia. Meninos, partilhem a vossa bazófia, vá lá, por uma vez na vida não sejam fuços. Há bazófia que chegue para todos.

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