Há relativamente pouco tempo mudei de curso. O
meu primeiro tinha uma quantidade considerável de moças, o segundo, de moços.
No meu primeiro curso consegui amealhar um grupo
substancial de raparigas ao qual durante algum tempo chamei amigas. Muitas
delas tinham médias ridiculamente altas de entrada na faculdade, tipo dezoitos virgula
qualquer coisa e por aí em diante. Moças inteligentes no sentido convencional
do termo. Nunca em nenhuma circunstância se referiram a elas próprias como
génios, inteligentes, espertas, espertinhas, boas no que fazem, dotadas,
sobredotadas (que julgo ser três ou quatro passos acima de dotada) ou qualquer
outra coisa que indicasse que elas se consideravam na posse de qualquer tipo de
capacidade intelectual.
Pode ser falsa humildade? Isso pode, mas
nunca me pareceu que fosse. São coisas que acontecem.
No meu atual curso tenho amigos rapazes. Como é uma
mudança recente ainda tenho uma pool de amigos reduzida mais ainda assim dá
para fazer umas observações interessantes. Acontece que conheço alguns que ou
entraram mais cedo na universidade ou passaram um ano à frente. Os outros são
juventudes que saíram do secundário com médias de catorze e dizem coisas como
"sempre fui o génio da família". Estamos a falar de gente que
consegue manter conversas longuíssimas sobre coisas sobre as quais sabem pouco
ou nada.
Atenção, são bons rapazes, boa gente. E catorze é
uma média sólida. O que me admira é que esta gente que passou um ano à frente
muitas vezes cai de boca no chão e mal consegue passar às cadeiras. O génio
acabou? O que se passa aqui? E mesmo depois de terem provas concretas de que não
são isto e aquilo continuam a arranjar desculpas. "É impossível fazer esta
cadeira, só palermas que passam a vida a estudar é que passam".
"Só palermas que passam a vida a estudar é
que passam"
Engraçado como estes rapazolas às vezes dizem
coisas acertadas.
Quando as moças têm boas notas e se saem bem
academicamente é porque trabalham e, afinal, qualquer palerma consegue
fazer isso. Quando acontece o mesmo com moços é porque são dotados.
Depois de passarem uma vida inteira a ouvir dizer
que são o sol e as estrelas é um bocado tough assimilar que se calhar o rabo
deles não brilha com especial intensidade nem cheira a rosas.
Enfim, eu canso-me. Fico triste. Acredito numa distribuição igualitária da bazófia. Meninos, partilhem a vossa bazófia, vá lá, por uma vez na vida não sejam fuços. Há bazófia que chegue para todos.
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